pa_leio #41 - 22 de Novembro de 2008

PARA LER NA GULBENKIAN
A exposição "Weltliteratur", patente na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, até 4 de Janeiro, é para ser lida. Mostra textos, fotografias, documentos, quadros e vídeos e estabelece nexos entre eles.
Fernando Pessoa é a figura central desta exposição e logo à entrada está um recado para o escritor.
"Snr Pessoa Precisei de sair, está o jantar prompto é só sentar à mesa, tirar do lume e comer. Adelaide". Esta é a frase que se pode ler nas paredes brancas da entrada da primeira das 11 "salas" construídas para a exposição.
Logo a seguir, surgem fragmentos da obra de Pessoa, um deles descrevendo o Rossio em Lisboa, e numa fotografia ao lado pode ver-se o autor nas ruas da cidade.
O percurso que acolhe a exposição, comissariada pelo professor universitário António M. Feijó, foi concebido pelos arquitectos Manuel e Francisco Aires Mateus.
"Para nós é muito claro que esta exposição é sobre o prazer da leitura", afirmou Manuel Aires Mateus, sublinhando que Weltliteratur "é uma exposição para ler".
"Weltliteratur - Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o Mundo!" é a designação dada à mostra, associando uma expressão de Goethe a um verso de Cesário Verde.
"A exposição pretende mostrar que um texto só é legível dentro de um nexo de outros textos", afirmou António M. Feijó, na apresentação da mostra.
Para o professor universitário, a exposição "é sobre Fernando Pessoa e alguns contemporâneos, alguns previsíveis, como é o caso de Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, mas outros que o não são".
Teixeira de Pascoaes, "talvez o único par de Pessoa no século XX português", Camilo Pessanha, "que é de uma geração anterior", e Vitorino Nemésio, "que aparece como expoente de toda a grande poesia pós-Pessoa", são outros escritores com espaço em "Weltliteratur".
pa_leio #40 - 18 de Outubro de 2008
Desconhecido nesta morada - Kathrine Kressmann Taylor
Editor: Gótica Editora
Colecção: Cavalo de Tróia
Ano de Edição: 2002
N.º de páginas: 124
ISBN: 972792042x
EAN: 9789727920426
Dimensões: 23,0 x 14,0 x 1,0 cm
Escrito sob a forma de cartas entre um judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e o seu antigo sócio, que regressara à Alemanha, o livro foi uma das primeiras obras a denunciar a perversidade do nazismo
Mais um livro de Ana Teresa Pereira (penso que já se pode qualificar de vício de verão) e mais uma premissa simples:
“I, painting from myself and to myself” ROBERT BROWNING.
Imaginem, por favor, Rose, jovem escritora («Ela era nova, uns trinta e dois anos, era bonita, um rosto branco e quente, a boca muito carnuda, o cabelo castanho e revolto afastado para trás com dois ganchos»), vinda do nada, chega de comboio a uma pequena vila inglesa perto de Londres. As pequenas casas, as ruas e praças, afastam-na de um passado que o leitor, embora desconheça, advinha («as casas da cidade roderam-na, protegendo-a de um mundo desconhecido e vagamente hostil»). A espessa neve do inverno britânico serve de cortina, cria um casulo, que cedo nos apercebemos representar o recreio criativo da escritora. O passado de Rose, apresenta-se, mais uma vez, com contornos fantasmagóricos. As únicas indicações que a narradora adianta são as pequenas manchas sensoriais que surgem descontextualizadas, os livros que Rose traz consigo e os homens que deixou («Havia sempre um homem e um livro, pelo menos um homem e um livro, um homem que algum tempo antes desejara com todas as suas forças e que agora não passa de um estranho, um livro que desejara com todas as suas forças e que morria lentamente debaixo dos seus dedos»).
Na pequena vila, Rose encontra uma misteriosa rapariga («olhou pela janela e foi então que viu a miúda»), parece estar abandonada, vestida com roupa florida de verão, sem mangas, um pouco curta, a mordiscar tranquilamente uma planta. Rose deixa-se fascinar por aquela visão, uma pedra no charco, um elemento deslocado da pitoresca vila. Decide seguir a rapariga, que percorre as ruas da pequena vila a um ritmo propositadamente lento. Por fim, desaparece por entre duas casas. O frio que começara a debilitar Rose, ameaçava agravar-se. Como que milagrosamente, a rapariga parece ter-lhe conduzido a uma estalagem («li o nome lá fora. Jamaica Inn, gosto do nome»).
Jamaica Inn é gerida por um homem sombrio, Michael, descrito como tendo uma beleza profunda (« (...) alto e magro, a testa muito alta, os olhos castanhos e graves.»). As histórias dos antepassados de Michael (piratas da Cornualha) atiçam a imaginação de Rose («talvez fosse violento, gostava de homens violentos»). Michael, representa o homem romântico, o ideal novelesco, a projecção do desejo amoroso de Rose («Queria tempestades e naufrágios, nos seus livros e na sua vida, e a crueldade dos piratas, que levavam as jóias a mulheres adormecidas (...) a ligação entre as coisas: o mar, as casas, os quadros da National Gallery, a neve, e o desejo, e fazer amor.»).
A estalagem encontra-se inexplicavelmente vazia. Os corredores e os quartos vazios parecem reflectir o próprio sentir artístico de Rose («Havia qualquer coisa naquela casa que a fazia lembrar-se de livros infantis, os longos corredores e os quartos fechados, os degraus, tinha de subir três degraus para entrar em alguns quartos, e claro, tinha de descer cinco para entrar na cozinha, a cozinha de livros e de crianças, descobrira ao fundo uma porta que dava para a cave»). Não obstante, Rose decide arrendar um dos quartos, o único virado para o jardim («Havia um jardim lá fora, e não era pequeno, mal se avistava o muro do outro lado das árvores. Teve a impressão de ver uma cabana ao fundo, o telhado branco de neve; um pássaro cruzou o céu deixando-a quase assustada»).
É neste cenário que Rose decide escrever o seu romance (« A primeira imagem fora a da cozinha, era um bom centro, um bom começo para qualquer coisa. Depois eles tinham aparecido, ele parecia-se com Michael, a testa alta e os olhos profundos, a beleza um pouco desajeitada, a sua voz. A mulher parecia-se um pouco com ela mesma, alta e esbelta, com o cabelo demasiado comprido e revolto»).
O processo de escrita surge ao leitor entre cortada com os passeios de Rose pelo idílico jardim da estalagem, que parece acompanhar o respirar de Rose, transformando-se com o seu estado de espírito («Rose percebeu de repente que se estavam a passar coisas no jardim (...) sentava-se no chão junto aos tanques e quebrava o gelo, olhava os mundos adormecidos, as águas escuras onde se adivinhavam seres vivos (...) estou deitada na erva, a humidade atravessa-me a roupa, os ramos da camélias desenham teias por cima de mim, e há cores, luz, vento, nuvens que passam entre as folhas»).
A fantasmagórica rapariga aparece e desaparece no jardim, ao sabor da neve e acompanha Rose nos seus passeios («Rose teve novamente uma sensação de irrealidade ao vê-la. Estava encostada a uma árvore, brincando com a pulseira no braço nu, e não parecia ter frio»). Michael, revela-se uma personagem ausente, a sua presença é apenas marcadas pelo ranger do soalho, pelos barulhos nocturnos, pelo som da rotina matinal vindo da cozinha.
«na manhã seguinte quando releu as últimas páginas que escrevera sentiu uma alegria enorme, o seu desejo passara para o livro, encontrava-o em todas as palavras, nas que estavam escritas e nas que não estavam escritas
O seu livro estava cheio de deuses.»
José Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante. Sai em Outubro.
ANA TERESA PEREIRA – O FIM DE LIZZIE
História de quatro irmãos (um filho biológico, duas gémeas adoptadas e um outro rapaz adoptado) que recordam os tempos de criança passados na casa do avô em Inglaterra. Os longos verões na charneca, o espesso nevoeiro do inverno inglês («no principio era o nevoeiro»). A vida adulta resultou bem diferente. Cada uma das criança é agora um adulto frustrado («sempre senti que há em nós qualquer coisa de errado, qualquer coisa de partido»). A notícia da morte do avô é esperada sem grande surpresa. O desvanecimento do fantasma do avô era há muito esperado («Os olhos azuis do avô brilhavam na penumbra, cheios de interesse, como se quisesse saber tudo a nosso respeito. E quando finalmente nos mandou embora, tive a impressão de que sabia»). A abertura do testamento do avô guardou a derradeira surpresa. A última cláusula do testamento determina que a atribuição da herança será adiada por sete anos, devendo ser partilhado pelos herdeiros que sobreviverem até essa data («Os que estivessem vivos. Havia algo de arrepiante naquelas palavras. Não só porque éramos demasiados novos para pensar a sério na morte....Havia mais qualquer coisa»).
Uma história aparentemente simples, mas que motiva um complexo jogo de atracção e traição («Ninguém tinha a cintura mais fina, as pernas mais bonitas...»). De invocação de memórias («A charneca muito próxima, muito azul») e do reconhecimento da dureza da vida adulta («Deus afasta as nuvens, como se afastasse um véu, e a terra revelava-se como as cores e os cheiros, e uma luz inesperada...»). A vontade de obter desafogo financeiro leva cada uma das personagens a procurar eliminar os irmãos («Era muito dinheiro. Pelo menos para nós, que aos vinte e oito ou vinte e nove não tínhamos o suficiente para pagar as contas no fim do mês. E ainda havia a casa»). No decorrer do romance descobrem-se velhos segredos, guardados desde os tempos de infância («o tempo em que acreditávamos em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço...»).
Um dos melhores livros de literatura contemporânea portuguesa que alguma vez me passaram pelas mãos. Os quatro irmãos funcionam como espelhos que se reflectem uns nos outros e que se confundem. Os cenários são apresentados tal como são percepcionados pelas personagens. Wistaria Hall, a vivenda do avô, é de proporções quase infinitas, tal como os longos verões e a infinita imaginação dos quatro crianças. A cidade de Londres da vida adulta é, em oposição, boémia e decadente. Todas as personagens são imensamente complexas e imprevisíveis. A beleza reservada de Lizzie («Gostava de vê-la debruçada sobre as aguarela, a camisa xadrez suja de tinta, o cabelo preso na nuca com um gancho. Ninguém tinha os olhos tão azuis») contrasta com a beleza hollywoodesca de Miranda («Miranda, a que tinha os olhos tão azuis como Lizzie, a cintura tão fina, as pernas tão bonitas... e qualquer coisa de nocturno que não existia em Lizzie e que eu não conseguia definir. Tinha um ar pouco natural, com o casaco cinzento, ou talvez prateado, a maquilhagem pesada, os sapatos de salto muito alto.»). A confiança e aspecto atlético de John («John parecia mais alto e atlético do que nunca, o rosto queimado pelo sol. Era evidente que não passava muito tempo em Londres») contrasta como aspecto felino do narrador («Uma antiga namorada disse uma vez que eu tinha ar de quem passou algum tempo no inferno e está ainda um pouco chamuscado»).
Um pequeno livro viciante, a ler e reler. Como pode uma obra-prima destas custar apenas 7 euros! A não perder.
Recomendo que o leiam até ao próximo Pa-leio, já que muitos, como eu, não tiveram tempo de ler os Pássaros Feridos.
então não é que:
este filme
é baseado numa obra, com o mesmo título, deste autor?
E no entretanto, vou lendo:
- Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
- Expiação, Ian McEwan
- Ensaio sobre a lucidez, José Saramago
-...
autores que o pa_leio me foi dando a conhecer, que me souberam a pouco e que agora, com tempo, irei confirmar o quanto gosto deles!
Pássaros feridos - Colleen Mc Cullough

Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio do século XX, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O` Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor.Personagens maravilhosas povoam este livro: o forte e delicado Paddy, que esconde uma recordação muito íntima; a zelosa Fiona, que se recusa a dar amor porque este, um dia, a traiu; o violento e atormentado Frank e os outros filhos do casal Cleary, que trabalham de sol a sol e dedicam a Drogheda a energia e devoção que a maioria dos homens destina às mulheres; Meggie, Ralph e os filhos de Meggie, Justine e Dane. E a própria terra: nua, inflexível nas suas florações, presa de ciclos gigantescos de secas e cheias, rica quando a natureza é generosa, imprevisível como nenhum outro sítio na terra.

Feira do livro de Lisboa
Entre os dias 24 de Maio e 15 de Junho, no Parque Eduardo VII, com o seguinte horário:
Abertura:
de Segunda a Sexta-feira às 16 horas;
Sábados, Domingos e Feriados às 15 horas;
Dia 1 de Junho (Dia Mundial da Criança), às 10 horas.
Encerramento:
de Domingo a Quinta-feira às 23 horas;
Sextas-feiras, Sábados, véspera de Feriado e último dia de Feira às 24 horas.

in www.booket.pt
"Booket
Novos horizontes. Um incentivo à leitura.
Booket é a nova marca lançada pelas Publicações Dom Quixote para a colecção de livros de bolso que assenta a sua estratégia na trilogia: preço, formato e acessibilidade.
Trata-se de uma colecção de natureza generalista que pretende colocar à disposição de todos os leitores, e do público em geral, uma vasta e diversificada selecção de prestigiadas obras de Autores nacionais e internacionais. António Lobo Antunes, Isabel do Carmo, José Eduardo Agualusa, Inês Pedrosa, Rodrigo Guedes de Carvalho, Rita Ferro, Gabriel García Márquez, John le Carré, Michael Crichton, Matilde Asensi, Robert Wilson, entre muitos outros, estão agora disponíveis num formato mais cómodo para o leitor que, assim, poderá transportar consigo grandes autores em pequenos livros. E desfrutar da sua leitura onde desejar, desde 5,95 euros.
Esta marca assume-se como jovem, activa e inovadora e pretende dinamizar a oferta do livro no mercado e promover os hábitos de leitura de todos os portugueses.
O design gráfico das capas Booket assenta numa linha diferenciada e o seu desenvolvimento é da responsabilidade do atelier de Henrique Cayatte.
Booket estará disponível nos pontos de venda habituais (grandes superfícies e livrarias) e também, a curto prazo, em novos canais de distribuição em que o factor conveniência está presente com o objectivo de captar novos e mais leitores.
Fieis ao objectivo de tornar a leitura mais acessível a todos, o nosso compromisso é publicar conteúdos editoriais de qualidade a preços mais acessíveis, dedicando um especial cuidado à qualidade de impressão e à facilidade de manuseamento do livro, pondo fim à ideia de que o livro de bolso tem uma qualidade inferior.
Com Booket: leitura mais acessível para todos os portugueses!"
pa_leio #37 - 24 de Maio de 2008
Balada da praia dos cães - José Cardoso Pires
«Viu no fundo duma cova uma conspiração de cães à volta do cadáver dum homem; alguns saltaram para o lado assim que ele apareceu mas logo retomaram a presa; outros nem isso, estavam tão apostados na sua tarefa que se abocanhavam entre eles por cima do corpo do morto.»
ISBN: 978-972-20-3438-8
Páginas: 302
Dimensões: 12,5 x 19cm
Colecção: Romance
Booket
Ano de Edição: 2007
Encadernação: Brochado
Preço sem IVA: 7.38 €
Preço com IVA: 7.75 €
pa_leio #36 - 19 de Abril de 2008
O estranho caso do cão morto - Mark Haddon
Colecção: Grandes Narrativas
Ano de Edição: 2003
Dimensões: 23,0 x 15,0 cm
Peso: 350 g
Editor: Editorial Presença
N.º de páginas: 231
Referido pelo The Times como «um dos melhores livros de 2003» O Estranho Caso do Cão Morto é muito divertido. Conta a história de Christopher Boone, um miúdo autista, com apenas 15 anos que vive enredado no seu próprio mundo, longe de tudo e de todos. Possui uma memória fotográfica e é um aluno excelente a matemática e a ciências mas detesta o amarelo e o castanho e não suporta que alguém lhe toque. Absorvido pela sua doença, Christopher desperta um dia quando encontra o cão da sua vizinha morto, no meio do jardim, com uma forquilha atravessada. A partir daqui nunca mais será o mesmo pois só descansará quando descobrir quem cometeu tão atroz crime. Uma obra de humor irónico, que irá em breve ser adaptada ao cinema, pois os direitos para filme foram já adquiridos pelos produtores de Harry Potter, contando com Brad Pitt como actor.
Obra vencedora do Prémio Whitbread e do British Book Award/2004 nas categorias Ficção Literária e Livro Juvenil do Ano.
Dia Mundial da Poesia - 21 de Março
Foi proclamado pela UNESCO em 1999, com o objectivo primeiro da defesa da diversidade linguística.
Este ano, o Plano Nacional de Leitura e o CCB associaram-se para assinalar a data. Mas como dia 21 é sexta-feira santa, as comemorações serão no sábado, dia 22 de Março.
No Dia 22, no CCB, poderemos usufruir de uma Feira de Livros de Poesia, assistir a Conversas "em forma de assim", trocar livros no Espaço de Trocas, visitar uma exposição de desenhos de Ana Hatherly, participar em ateliers no Espaço de Fazer Poesias, ouvir e ver a Voz dos Poetas e ouvir poesia dita e cantada num espaço onde Todos os Poetas estão Vivos.
Todos estão convidados a comemorar este dia no CCB: SÁBADO dia 22 de Março, entre as 14h e as 20h - entrada livre!
Para consultar o programa ver em www.ccb.pt
pa_leio #35 - 26 de Março de 2008
Segredos de Família - Kim Edwards

"This stunning novel begins on a winter night in 1964, when a blizzard forces Dr.David Henry to deliver his own twins. His son, born first, is perfectly healthy, but the doctor immediately recognizes that his daughter has Down's syndrome. For motives he tells himself are good, he makes a split-second decision that will haunt all their lives forever. He asks his nurse, Caroline, to take the baby away to an institution. Instead, she disappears into another city to raise the child as her own. Compulsively readable and deeply moving, The Memory Keeper's Daughter is a brilliantly crafted story of parallel lives, familial secrets, and the redemptive power of love."
Sugere-se a leitura da versão original. O inglês é fácil e a edição é mais barata!
Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial
