pa_leio #41 - 22 de Novembro de 2008

O fim de Lizzie - Ana Teresa Pereira

Uma antiga namorada disse uma vez que eu tinha o ar de quem passou algum tempo no inferno e está ainda um pouco chamuscado; mas era mais comum dizerem-me que tinha um aspecto felino.A descrição não me desagradava.Alto, magro, de olhos azuis, rosto de traços felinos. Suponho que as mulheres sempre me acharam bem parecido, ainda que o ar de ter passado algum tempo no inferno fosse um pouco inquietante. Mas as mulheres gostam de sentir medo.As amigas de Lizzie diziam que ficávamos bem um com o outro. Lembro-me de uma delas ter afirmado que os nossos filhos seriam lindos. Os nossos filhos.Não sei o que teria acontecido se Lizzie engravidasse naquela altura. Ou antes, acho que sei. Eu teria ficado doido de alegria, embora o dinheiro mal chegasse para vivermos os dois. E ela...


in O fim Lizzie

PARA LER NA GULBENKIAN


A exposição "Weltliteratur", patente na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, até 4 de Janeiro, é para ser lida. Mostra textos, fotografias, documentos, quadros e vídeos e estabelece nexos entre eles.
Fernando Pessoa é a figura central desta exposição e logo à entrada está um recado para o escritor.
"Snr Pessoa Precisei de sair, está o jantar prompto é só sentar à mesa, tirar do lume e comer. Adelaide". Esta é a frase que se pode ler nas paredes brancas da entrada da primeira das 11 "salas" construídas para a exposição.
Logo a seguir, surgem fragmentos da obra de Pessoa, um deles descrevendo o Rossio em Lisboa, e numa fotografia ao lado pode ver-se o autor nas ruas da cidade.
O percurso que acolhe a exposição, comissariada pelo professor universitário António M. Feijó, foi concebido pelos arquitectos Manuel e Francisco Aires Mateus.
"Para nós é muito claro que esta exposição é sobre o prazer da leitura", afirmou Manuel Aires Mateus, sublinhando que Weltliteratur "é uma exposição para ler".
"Weltliteratur - Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o Mundo!" é a designação dada à mostra, associando uma expressão de Goethe a um verso de Cesário Verde.
"A exposição pretende mostrar que um texto só é legível dentro de um nexo de outros textos", afirmou António M. Feijó, na apresentação da mostra.
Para o professor universitário, a exposição "é sobre Fernando Pessoa e alguns contemporâneos, alguns previsíveis, como é o caso de Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, mas outros que o não são".
Teixeira de Pascoaes, "talvez o único par de Pessoa no século XX português", Camilo Pessanha, "que é de uma geração anterior", e Vitorino Nemésio, "que aparece como expoente de toda a grande poesia pós-Pessoa", são outros escritores com espaço em "Weltliteratur".

pa_leio #40 - 18 de Outubro de 2008
Desconhecido nesta morada - Kathrine Kressmann Taylor

Editor: Gótica Editora
Colecção: Cavalo de Tróia
Ano de Edição: 2002
N.º de páginas: 124
ISBN: 972792042x
EAN: 9789727920426
Dimensões: 23,0 x 14,0 x 1,0 cm

Escrito sob a forma de cartas entre um judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e o seu antigo sócio, que regressara à Alemanha, o livro foi uma das primeiras obras a denunciar a perversidade do nazismo

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE - ANA TERESA PEREIRA




Mais um romance da minha nova paixão literária. Desta vez o mote é o seguinte:
“ How can we know the dancer from the dance?” W.B.YEATS


Tom é tenente na polícia. Como pessoa solitária que é tem o hábito de frequentar o pub da sua zona após o dia de trabalho. Cedo começa a reparar num outro vulto solitário com o mesmo hábito. Patrícia, a mulher de “olhos perdidos no vazio, como se estivessem muito longe” (« Tom observava-a de forma quase profissional, uma mulher jovem, morena de cabelo castanho pelos ombros, um vestido preto de alças, pernas longas sem meias, sandálias de salto alto »). Sentada todas as noites no último banco do balcão semicircular, “o copo de whiskey esquecido à sua frente, um cigarro a arder no cinzeiro” (“como se só o fumo lhe interessasse”).


A repetição deste encontro marca a primeira parte do romance. Um carrocel de imagens, o mesmo whiskey, o mesmo cigarro a arder, as mesmas notas de Tenderly («you took my lips, you took my love, tenderly...») que Patrícia escolhe na jukebox ao abandonar o pub, a mesmíssima perseguição nocturna, muito cinematográfica, de Tom, guiado pelo desejo que culmina, num tom muito jocoso, com o fechar da porta, a luz do interior a acender-se e um gato, na sacada, a lamber as patas. A repetição, por fim, torna-se dolorosa, quer para as personagens, quer para o leitor (« Por vezes encontravam-se sozinhos no bar, e a presença dela quase o magoava. Uma bela estátua imóvel, uma boneca que alguém colocara naquele lugar, que conservava a imobilidade do interior da caixa, que não sorria e não batia as pálpebras »). O encontro era inevitável (« I was born when he kissed me »).


Tom apaixona-se violentamente por Pat, considera-a, como refere, um anjo negro (« Trazia um vestido negro que ele conhecia, as sandálias constituídas quase só por uns saltos muito altos e umas tiras, o casaco preto no braço (...) o rosto afilado parecia ainda mais bonito, os olhos cinzentos ainda maiores ») . Pat responde: «fazes-me pensar num livro, começa assim: “Ele costumava chamar-me anjo. Palavras que um homem diz à mulher que ama” ». O sacramento estava ministrado, o casamento não tardou a realizar-se.


Como se de apenas um dia se trata-se, fez-se manhã (« Quando despertou começava a amanhecer, o corpo dela e o seu perfume tinham-se tornado tão familiares como a claridade que entrava pela janela; a jovem passava os dedos finos pela cicatriz que ele tinha no peito »). Pat revela ter um especial interesse em saber a origem daquela cicatriz. Tom, contudo, hesita em partilhar a história que lhe deu origem (« Não é uma história agradável (...) a sua mão estava abandonada no peito, escondendo a cicatriz »). Após alguma insistência por parte de Pat, Tom acaba por assentir. « Fora numa perseguição a um bando perigoso, traficante de drogas com muitos outros crimes no cartório (...) o indivíduo voltara-se para trás e alvejara-o e Tom, disparara ainda, mas sem qualquer controlo sobre a arma. O tiro perdido atingira um homem que trabalhava no jardim de uma das casas ».


Tom leva Pat a conhecer a sua nova casa, a sua nova família (« Era uma vivenda antiga (...) o tecto inclinado, as paredes cobertas de trepadeiras, os lilases no alpendre e nas árvores, os canteiros onde se misturavam inúmeras flores, davam ao lugar um aspecto assombrado, de um castelo em miniatura. E no castelo vivia uma princesinha de conto de fadas »). Emily é a doce jovem de 17 anos, filha de Tom de um casamento anterior ( « Aos dezassete anos o corpo era já o de uma mulher esbelta, mas o rosto tinha traços infantis (...) o vestido azul era simples, talvez um pouco comprido de mais (...) na verdade era encantadora. Mas a sua beleza vinha sobretudo, pensou Patrícia com um estremecimento, dos olhos» ). Os olhos de Emiy são uma “mistura de azul e violeta, ou talvez só violeta”. É descrito como assombroso que os seus olhos tão vazios (Emily é cega) fossem o que tinha de mais belo. Como em qualquer romance de Ana Teresa Pereira há um jardim. Na verdade por detrás da casa há um bosque que, aos olhos do leitor e de Emily, parece ter contornos gigantescos, alternando entre um aspecto paradisíaco e um aspecto demoníaco (« O jardim parecia mais belo do que nunca envolto na luz vermelha do crepúsculo. Por algum tempo todas as flores se tornaram vermelhas, depois azuis, e depois recuperaram as suas cores entre as sombras. As flores nocturnas desabrochavam. » ).


Os subtis mistérios daquela casa começam a revelar-se. Emily parece ter sido profundamente influenciada pelas histórias de fantasia dos governantes da casa (casal irlandês, crente na mitologia pagã). Adopta comportamentos estranhos quando se encontra sozinha no jardim (« Ficou imóvel voltou-se para o lado do bosque, como se ouvisse qualquer coisa, e então, primeiro um passo leve, lento, depois outro, começou a dançar (...) e por instantes teve impressão de que Emily não tocava o solo, estava suspensa, como uma folha ao vento, mas não havia vento »). Há, no entanto, um segredo subliminar que une fatalmente o triângulo de personagens, até que a morte os separe. É neste cenário que se desenvolve um thriller psicológico que consegue transportar o leitor para este ambiente de medo, contraface de um grande amor
« Agora sei que o amor existe, conheço o rosto dele, os seus olhos, o seu corpo, sei que me ama. E tenho medo dele, como sei que ele tem medo de mim, porque somos o lado negro um do outro (...).






A NEVE - ANA TERESA PEREIRA

Mais um livro de Ana Teresa Pereira (penso que já se pode qualificar de vício de verão) e mais uma premissa simples:

“I, painting from myself and to myself” ROBERT BROWNING.


Imaginem, por favor, Rose, jovem escritora («Ela era nova, uns trinta e dois anos, era bonita, um rosto branco e quente, a boca muito carnuda, o cabelo castanho e revolto afastado para trás com dois ganchos»), vinda do nada, chega de comboio a uma pequena vila inglesa perto de Londres. As pequenas casas, as ruas e praças, afastam-na de um passado que o leitor, embora desconheça, advinha («as casas da cidade roderam-na, protegendo-a de um mundo desconhecido e vagamente hostil»). A espessa neve do inverno britânico serve de cortina, cria um casulo, que cedo nos apercebemos representar o recreio criativo da escritora. O passado de Rose, apresenta-se, mais uma vez, com contornos fantasmagóricos. As únicas indicações que a narradora adianta são as pequenas manchas sensoriais que surgem descontextualizadas, os livros que Rose traz consigo e os homens que deixou («Havia sempre um homem e um livro, pelo menos um homem e um livro, um homem que algum tempo antes desejara com todas as suas forças e que agora não passa de um estranho, um livro que desejara com todas as suas forças e que morria lentamente debaixo dos seus dedos»).


Na pequena vila, Rose encontra uma misteriosa rapariga («olhou pela janela e foi então que viu a miúda»), parece estar abandonada, vestida com roupa florida de verão, sem mangas, um pouco curta, a mordiscar tranquilamente uma planta. Rose deixa-se fascinar por aquela visão, uma pedra no charco, um elemento deslocado da pitoresca vila. Decide seguir a rapariga, que percorre as ruas da pequena vila a um ritmo propositadamente lento. Por fim, desaparece por entre duas casas. O frio que começara a debilitar Rose, ameaçava agravar-se. Como que milagrosamente, a rapariga parece ter-lhe conduzido a uma estalagem («li o nome lá fora. Jamaica Inn, gosto do nome»).


Jamaica Inn é gerida por um homem sombrio, Michael, descrito como tendo uma beleza profunda (« (...) alto e magro, a testa muito alta, os olhos castanhos e graves.»). As histórias dos antepassados de Michael (piratas da Cornualha) atiçam a imaginação de Rose («talvez fosse violento, gostava de homens violentos»). Michael, representa o homem romântico, o ideal novelesco, a projecção do desejo amoroso de Rose («Queria tempestades e naufrágios, nos seus livros e na sua vida, e a crueldade dos piratas, que levavam as jóias a mulheres adormecidas (...) a ligação entre as coisas: o mar, as casas, os quadros da National Gallery, a neve, e o desejo, e fazer amor.»).


A estalagem encontra-se inexplicavelmente vazia. Os corredores e os quartos vazios parecem reflectir o próprio sentir artístico de Rose («Havia qualquer coisa naquela casa que a fazia lembrar-se de livros infantis, os longos corredores e os quartos fechados, os degraus, tinha de subir três degraus para entrar em alguns quartos, e claro, tinha de descer cinco para entrar na cozinha, a cozinha de livros e de crianças, descobrira ao fundo uma porta que dava para a cave»). Não obstante, Rose decide arrendar um dos quartos, o único virado para o jardim («Havia um jardim lá fora, e não era pequeno, mal se avistava o muro do outro lado das árvores. Teve a impressão de ver uma cabana ao fundo, o telhado branco de neve; um pássaro cruzou o céu deixando-a quase assustada»).


É neste cenário que Rose decide escrever o seu romance (« A primeira imagem fora a da cozinha, era um bom centro, um bom começo para qualquer coisa. Depois eles tinham aparecido, ele parecia-se com Michael, a testa alta e os olhos profundos, a beleza um pouco desajeitada, a sua voz. A mulher parecia-se um pouco com ela mesma, alta e esbelta, com o cabelo demasiado comprido e revolto»).


O processo de escrita surge ao leitor entre cortada com os passeios de Rose pelo idílico jardim da estalagem, que parece acompanhar o respirar de Rose, transformando-se com o seu estado de espírito («Rose percebeu de repente que se estavam a passar coisas no jardim (...) sentava-se no chão junto aos tanques e quebrava o gelo, olhava os mundos adormecidos, as águas escuras onde se adivinhavam seres vivos (...) estou deitada na erva, a humidade atravessa-me a roupa, os ramos da camélias desenham teias por cima de mim, e há cores, luz, vento, nuvens que passam entre as folhas»).


A fantasmagórica rapariga aparece e desaparece no jardim, ao sabor da neve e acompanha Rose nos seus passeios («Rose teve novamente uma sensação de irrealidade ao vê-la. Estava encostada a uma árvore, brincando com a pulseira no braço nu, e não parecia ter frio»). Michael, revela-se uma personagem ausente, a sua presença é apenas marcadas pelo ranger do soalho, pelos barulhos nocturnos, pelo som da rotina matinal vindo da cozinha.

«na manhã seguinte quando releu as últimas páginas que escrevera sentiu uma alegria enorme, o seu desejo passara para o livro, encontrava-o em todas as palavras, nas que estavam escritas e nas que não estavam escritas

O seu livro estava cheio de deuses.»

José Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante. Sai em Outubro.



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ANA TERESA PEREIRA – O FIM DE LIZZIE


História de quatro irmãos (um filho biológico, duas gémeas adoptadas e um outro rapaz adoptado) que recordam os tempos de criança passados na casa do avô em Inglaterra. Os longos verões na charneca, o espesso nevoeiro do inverno inglês («no principio era o nevoeiro»). A vida adulta resultou bem diferente. Cada uma das criança é agora um adulto frustrado («sempre senti que há em nós qualquer coisa de errado, qualquer coisa de partido»). A notícia da morte do avô é esperada sem grande surpresa. O desvanecimento do fantasma do avô era há muito esperado («Os olhos azuis do avô brilhavam na penumbra, cheios de interesse, como se quisesse saber tudo a nosso respeito. E quando finalmente nos mandou embora, tive a impressão de que sabia»). A abertura do testamento do avô guardou a derradeira surpresa. A última cláusula do testamento determina que a atribuição da herança será adiada por sete anos, devendo ser partilhado pelos herdeiros que sobreviverem até essa data («Os que estivessem vivos. Havia algo de arrepiante naquelas palavras. Não só porque éramos demasiados novos para pensar a sério na morte....Havia mais qualquer coisa»).


Uma história aparentemente simples, mas que motiva um complexo jogo de atracção e traição («Ninguém tinha a cintura mais fina, as pernas mais bonitas...»). De invocação de memórias («A charneca muito próxima, muito azul») e do reconhecimento da dureza da vida adulta («Deus afasta as nuvens, como se afastasse um véu, e a terra revelava-se como as cores e os cheiros, e uma luz inesperada...»). A vontade de obter desafogo financeiro leva cada uma das personagens a procurar eliminar os irmãos («Era muito dinheiro. Pelo menos para nós, que aos vinte e oito ou vinte e nove não tínhamos o suficiente para pagar as contas no fim do mês. E ainda havia a casa»). No decorrer do romance descobrem-se velhos segredos, guardados desde os tempos de infância («o tempo em que acreditávamos em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço...»).


Um dos melhores livros de literatura contemporânea portuguesa que alguma vez me passaram pelas mãos. Os quatro irmãos funcionam como espelhos que se reflectem uns nos outros e que se confundem. Os cenários são apresentados tal como são percepcionados pelas personagens. Wistaria Hall, a vivenda do avô, é de proporções quase infinitas, tal como os longos verões e a infinita imaginação dos quatro crianças. A cidade de Londres da vida adulta é, em oposição, boémia e decadente. Todas as personagens são imensamente complexas e imprevisíveis. A beleza reservada de Lizzie («Gostava de vê-la debruçada sobre as aguarela, a camisa xadrez suja de tinta, o cabelo preso na nuca com um gancho. Ninguém tinha os olhos tão azuis») contrasta com a beleza hollywoodesca de Miranda («Miranda, a que tinha os olhos tão azuis como Lizzie, a cintura tão fina, as pernas tão bonitas... e qualquer coisa de nocturno que não existia em Lizzie e que eu não conseguia definir. Tinha um ar pouco natural, com o casaco cinzento, ou talvez prateado, a maquilhagem pesada, os sapatos de salto muito alto.»). A confiança e aspecto atlético de John («John parecia mais alto e atlético do que nunca, o rosto queimado pelo sol. Era evidente que não passava muito tempo em Londres») contrasta como aspecto felino do narrador («Uma antiga namorada disse uma vez que eu tinha ar de quem passou algum tempo no inferno e está ainda um pouco chamuscado»).


Um pequeno livro viciante, a ler e reler. Como pode uma obra-prima destas custar apenas 7 euros! A não perder.


Recomendo que o leiam até ao próximo Pa-leio, já que muitos, como eu, não tiveram tempo de ler os Pássaros Feridos.






atonement
atone: to act in a way that compensates for a previous wrong, error, etc.

então não é que:
este filme
é baseado numa obra, com o mesmo título, deste autor?

Somerset Maugham

sabiam?


novo livro de Kim Edwards:

E no entretanto, vou lendo:
- Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
- Expiação, Ian McEwan
- Ensaio sobre a lucidez, José Saramago
-...

autores que o pa_leio me foi dando a conhecer, que me souberam a pouco e que agora, com tempo, irei confirmar o quanto gosto deles!

pa_leio #39 - 13 de Setembro de 2008
Pássaros feridos - Colleen Mc Cullough

Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio do século XX, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O` Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor.Personagens maravilhosas povoam este livro: o forte e delicado Paddy, que esconde uma recordação muito íntima; a zelosa Fiona, que se recusa a dar amor porque este, um dia, a traiu; o violento e atormentado Frank e os outros filhos do casal Cleary, que trabalham de sol a sol e dedicam a Drogheda a energia e devoção que a maioria dos homens destina às mulheres; Meggie, Ralph e os filhos de Meggie, Justine e Dane. E a própria terra: nua, inflexível nas suas florações, presa de ciclos gigantescos de secas e cheias, rica quando a natureza é generosa, imprevisível como nenhum outro sítio na terra.

pa_leio #38 - 28 de Junho de 2008
O fio da navalha - Somerset Maugham


Quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo, a vida de Larry Darrell muda para sempre. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.O Fio da Navalha foi originalmente publicado em 1944, num mundo muito diferente do actual. Contudo, algumas das suas ansiedades e dúvidas permanecem: continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência, mas não queremos apenas deter esse conhecimento, queremos senti-lo no mais fundo de nós. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou uma das mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento dos homens.

Feira do livro de Lisboa

Entre os dias 24 de Maio e 15 de Junho, no Parque Eduardo VII, com o seguinte horário:
Abertura:
de Segunda a Sexta-feira às 16 horas;
Sábados, Domingos e Feriados às 15 horas;
Dia 1 de Junho (Dia Mundial da Criança), às 10 horas.
Encerramento:
de Domingo a Quinta-feira às 23 horas;
Sextas-feiras, Sábados, véspera de Feriado e último dia de Feira às 24 horas.

dia mundial do livro


in www.booket.pt

"Booket
Novos horizontes. Um incentivo à leitura.


Booket é a nova marca lançada pelas Publicações Dom Quixote para a colecção de livros de bolso que assenta a sua estratégia na trilogia: preço, formato e acessibilidade.

Trata-se de uma colecção de natureza generalista que pretende colocar à disposição de todos os leitores, e do público em geral, uma vasta e diversificada selecção de prestigiadas obras de Autores nacionais e internacionais. António Lobo Antunes, Isabel do Carmo, José Eduardo Agualusa, Inês Pedrosa, Rodrigo Guedes de Carvalho, Rita Ferro, Gabriel García Márquez, John le Carré, Michael Crichton, Matilde Asensi, Robert Wilson, entre muitos outros, estão agora disponíveis num formato mais cómodo para o leitor que, assim, poderá transportar consigo grandes autores em pequenos livros. E desfrutar da sua leitura onde desejar, desde 5,95 euros.

Esta marca assume-se como jovem, activa e inovadora e pretende dinamizar a oferta do livro no mercado e promover os hábitos de leitura de todos os portugueses.

O design gráfico das capas Booket assenta numa linha diferenciada e o seu desenvolvimento é da responsabilidade do atelier de Henrique Cayatte.

Booket estará disponível nos pontos de venda habituais (grandes superfícies e livrarias) e também, a curto prazo, em novos canais de distribuição em que o factor conveniência está presente com o objectivo de captar novos e mais leitores.

Fieis ao objectivo de tornar a leitura mais acessível a todos, o nosso compromisso é publicar conteúdos editoriais de qualidade a preços mais acessíveis, dedicando um especial cuidado à qualidade de impressão e à facilidade de manuseamento do livro, pondo fim à ideia de que o livro de bolso tem uma qualidade inferior.

Com Booket: leitura mais acessível para todos os portugueses!"

pa_leio #37 - 24 de Maio de 2008
Balada da praia dos cães - José Cardoso Pires


«Viu no fundo duma cova uma conspiração de cães à volta do cadáver dum homem; alguns saltaram para o lado assim que ele apareceu mas logo retomaram a presa; outros nem isso, estavam tão apostados na sua tarefa que se abocanhavam entre eles por cima do corpo do morto.»



ISBN: 978-972-20-3438-8
Páginas: 302
Dimensões: 12,5 x 19cm

Colecção: Romance
Booket

Ano de Edição: 2007
Encadernação: Brochado

Preço sem IVA: 7.38 €
Preço com IVA: 7.75 €

pa_leio #36 - 19 de Abril de 2008
O estranho caso do cão morto - Mark Haddon





Colecção: Grandes Narrativas
Ano de Edição: 2003
Dimensões: 23,0 x 15,0 cm
Peso: 350 g
Editor: Editorial Presença
N.º de páginas: 231

Referido pelo The Times como «um dos melhores livros de 2003» O Estranho Caso do Cão Morto é muito divertido. Conta a história de Christopher Boone, um miúdo autista, com apenas 15 anos que vive enredado no seu próprio mundo, longe de tudo e de todos. Possui uma memória fotográfica e é um aluno excelente a matemática e a ciências mas detesta o amarelo e o castanho e não suporta que alguém lhe toque. Absorvido pela sua doença, Christopher desperta um dia quando encontra o cão da sua vizinha morto, no meio do jardim, com uma forquilha atravessada. A partir daqui nunca mais será o mesmo pois só descansará quando descobrir quem cometeu tão atroz crime. Uma obra de humor irónico, que irá em breve ser adaptada ao cinema, pois os direitos para filme foram já adquiridos pelos produtores de Harry Potter, contando com Brad Pitt como actor.
Obra vencedora do Prémio Whitbread e do British Book Award/2004 nas categorias Ficção Literária e Livro Juvenil do Ano.

Dia Mundial da Poesia - 21 de Março

Foi proclamado pela UNESCO em 1999, com o objectivo primeiro da defesa da diversidade linguística.
Este ano, o Plano Nacional de Leitura e o CCB associaram-se para assinalar a data. Mas como dia 21 é sexta-feira santa, as comemorações serão no sábado, dia 22 de Março.
No Dia 22, no CCB, poderemos usufruir de uma Feira de Livros de Poesia, assistir a Conversas "em forma de assim", trocar livros no Espaço de Trocas, visitar uma exposição de desenhos de Ana Hatherly, participar em ateliers no Espaço de Fazer Poesias, ouvir e ver a Voz dos Poetas e ouvir poesia dita e cantada num espaço onde Todos os Poetas estão Vivos.
Todos estão convidados a comemorar este dia no CCB: SÁBADO dia 22 de Março, entre as 14h e as 20h - entrada livre!
Para consultar o programa ver em www.ccb.pt

pa_leio #35 - 26 de Março de 2008
Segredos de Família - Kim Edwards







"This stunning novel begins on a winter night in 1964, when a blizzard forces Dr.David Henry to deliver his own twins. His son, born first, is perfectly healthy, but the doctor immediately recognizes that his daughter has Down's syndrome. For motives he tells himself are good, he makes a split-second decision that will haunt all their lives forever. He asks his nurse, Caroline, to take the baby away to an institution. Instead, she disappears into another city to raise the child as her own. Compulsively readable and deeply moving, The Memory Keeper's Daughter is a brilliantly crafted story of parallel lives, familial secrets, and the redemptive power of love."

Sugere-se a leitura da versão original. O inglês é fácil e a edição é mais barata!

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