pa_leio #26 - 26 de Maio de 2007

pa_leio #25 - 21 de Abril de 2007

Como é que esta me andava a escapar??
pa_leio #24 - 31 de Março de 2007
Dom Casmurro - Machado de Assis
O autor coloca aqui a questão do ciúme e da traição, mas principalmente a questão da dúvida entre o que conhecemos das pessoas e aquilo que elas realmente são, através do narrador, Bentinho, que se julga traído por Capitu, sua mulher.
ATENÇÃO: A Editora Dom Quixote edita este livro em versão de bolso, que inclui uma biografia de Machado de Assis e uma apresentação crítica da autoria da Professora Ana Maria Mão-de-Ferro Martinho, a um generoso preço de 6,29Euros.
40º procura-se!
O pa_leio já conta com 39 membros. E por membro entende-se qualquer pessoa que já tenha vindo ao pa_leio pelo menos uma vez. Não é incrível?
Só é pena que 39 não tenha graça nenhuma... não é muito mais redondo 40??
Por onde anda o número 40? Acredito que estejas bem perto.. APARECE!
Quero anunciar que tenho um clube com 40 membros!! Vá lá!
A gerência promete uma boa recompensa :)
Alfredo Saramago
Convidou para almoçar
seguido de
Viagens do meu paladar
"O prazer de comer é..." ai o prazer de comer!
Alfredo Saramago é crítico da gastronomia e diz que em Portugal se come mal. Eu leio isto e começo com um nervoso miudinho a pensar no azar que este homem tem tido nos sítios por onde tem comido. Mas logo ele me diz que se todos nós experimentámos e conhecemos belos manjares que por este Portugal fora se vão fazendo não é sinal de que se coma bem. No geral são poucos os marcos gastronómicos e portanto no geral come-se mal em Portugal!
O título do livro é mesmo "Alfredo Saramago convidou para almoçar seguido de viagens do meu paladar". Convidou para almoçar este e aquele, comenta a refeição que teve com esse e aquele e pede a esses e aqueles para também comentarem esse refeição conjunta que tiveram. Viagens do meu paladar são crónicas de passeios que fez onde a procura da boa mesa foi bem sucedida e motivo de registo.
A ideia do livro é muito original, pelo menos para mim que nunca tinha lido nada sobre gastronomia a não ser aquelas colectâneas de notas sobre "os melhores restaurantes daqui e dali".
Ter de escolher entre o prazer de ler e o de comer é me tão difícil como ter de optar por um croquete ou um pastel de nata, ambos quentinhos... obrigam-me a ter de optar pelos dois, e depois perder algum tempo a decidir qual deles primeiro!
Como conclusão deste livro aqui fica o comentário: entre livros "sobre a mesa" e livros "sob a mesa" prefiro a segunda! Discutamos livros à mesa!
A morte de ivan Ilitch - Leão Tolstoi
minhos da solidão ou os caminhos que levam um homem à solidão. Será que a solidão não passa de um estado de alma? Ou os elementos externos à nossa vontade poderão provocar a verdadeira solidão, a mais real e completa, aquela que acontece e se esconde no círculo da família e da sociedade? Neste intenso estudo sobre a alma humana e uma das suas mais assustadoras condições, a solidão, Leão Tolstoi volta a imprimir o seu cunho de mestre como leitor e crítico do ser humano, transformando A Morte de Ivan Ilitch numa das mais belas e comoventes obras sobre este tema.pa_leio #22 - 20 de Janeiro de 2007
As velas ardem até ao fim - Sándor Márai
Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...
Essential
Depois de 6 longas semanas e 450 pequenas páginas, dia 16 de Dezembro finalmente falaremos sobre o crime do Padre Amaro. Guardemos as opiniões para essa altura. Por agora venho só deixar uma sugestão para todos os mais resistentes à leitura mas que têm (como é natural!) um desejo profundo de começar a participar no pa_leio, se possível já neste mês de Dezembro.
Lembram-se daqueles resumos (ranhosos) de grandes obras das Edições Europa-América? Sim, amarelos e pretos, esses mesmos. Não tem nada a ver!
Sabem aquelas versões de "tudo aquilo que precisa saber sobre..", que se resumem ao essencial e sem pormenores superfluos? Assim é no "há sempre um livro" de Cláudia Sousa Dias que resume livros como ninguém: brilhantemente!
Vale mesmo a pena espreitar o que ela tem escrito sobre tantos livros nossos conhecidos e outros nem tanto assim.
Para este próximo livro garanto-vos "Muito Bom" na vossa participação se até lá se prepararem lendo o "Essential of Crime do Padre Amaro"! Bom estudo :P
O Presente
(Já sabes o que é o Presente. Já sabes onde o encontrar. E já sabes como é que ele te pode fazer ter mais sucesso e ser mais feliz. Conhecia-lo melhor quando eras mais novo. Simplesmente, esqueceste-te.
O presente não é o passado nem é o futuro. O presente é o momento presente! O presente é agora!
Mesmo nas situações mais difíceis, quando te concentras naquilo que corre bem no momento presente, sentes-te mais feliz, e isso dá-te a energia e a confiança necessárias para lidares com aquilo que corre mal, hoje.
Estar no presente significa desligar-se de todas as distracções e prestar atenção àquilo que é realmente importante, agora. Crias o teu próprio presente com base naquilo a que prestas atenção agora.
É difícil ficar livre do passado se não aprendemos com o passado. Assim que aprenderes a libertar-te do passado melhorarás o presente.
Sempre que estiveres infeliz com o presente ou sentires que não estás a ter sucesso, é porque tens de aprender com o passado ou planear o futuro.
Analisa o que aconteceu no passado. Aprende algo de importante com isso. Usa o que aprendes para melhorar o presente.
Não podes mudar o passado, mas podes aprender com ele. Quando surgirem situações semelhantes, podes agir de forma diferente e gozar um presente mais feliz e mais bem sucedido.
Ninguém pode prever ou controlar o futuro. Mas quanto mais planeares o que queres que aconteça, menos ansiedade sentirás no presente e melhor conhecerás o futuro.
A partir de hoje, vou imaginar como será um futuro maravilhoso. Vou criar um plano realista para fazer com que aconteça. Vou pôr o meu plano em prática no presente.
A maneira como agimos depende do objectivo que temos. Quando queremos ser mais felizes e ter mais sucesso, temos de estar no presente. Quando queremos que o presente seja melhor do que o passado, temos de aprender com o passado. Quando queremos que o futuro seja melhor do que o presente, temos de planear o futuro.
Quando vivemos e trabalhamos com um objectivo em vista, e fazemos o que é importante no presente, tornamo-nos mais capazes de liderar, gerir, apoiar, fazer amigos e amar.
Ter sucesso significa tornar-se a pessoa que se é capaz de ser. E atingir objectivos nobres. Cada um de nós define o sucesso por si próprio.)
O meu pai sabe que eu não alinho muito em livros de "autoajuda" mas mesmo assim deu-me O Presente. E eu li. Todo.
Como conseguiu? Mandou-me numa manhã sonolenta de verão, de férias, para uma repartição da Segurança Social, tratar de papeladas da minha irmana!
Agora que penso.. Qual terá sido o raciocínio?
"leva O Presente porque vais à segurança social"
ou
"vai à segurança social porque tens O Presente para ler"?
Não sei.. mas também vocês o leriam todinho se lá estivessem!
pa_leio #21 - 16 de Dezembro de 2006
O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós
“(...) Amaro achava aquelas unhas admiráveis, porque tudo que era ela ou vinha dela lhe parecia perfeito: gostava da cor dos seus vestidos, do seu andar, do modo de passar os dedos pelos cabelos, e olhava até com ternura para as saias brancas que ela punha a secar à janela do seu quarto, enfiadas numa cana. Nunca estivera assim na intimidade de uma mulher. Quando percebia a porta do quarto dela entreaberta, ia resvalar para dentro olhares gulosos, como para perspectivas de um paraíso; um saiote pendurado, uma meia estendida, uma liga que ficava sobre o baú eram como revelações da sua nudez, que lhe faziam cerrar os dentes, todo pálido.(...)”
Procura-se
Ando à procura ("de ti Senhor.." private) dos meus livros:
"A musica do acaso" - Paul Auster
"Mariana" - Catherine ..
Aceitam-se pedidos de desculpa ("desculpaaaaaa, era eu q o tinha"), desde que acompanhados do próprio livro!
Daqui para a frente o problema está resolvido: criei uma listinha de todos os livros que estão emprestados e a quem! If you don't mind..
É panca! Só pode.
Chegou o momento. É hoje que eu me debruço, à seria, sobre este assunto e admito algo de peculiar que me aflige: eu não suporto a mínima dobra em tudo o que é papel!
Desde um pequeno canto dobrado, a uma mão pouco jeitosa que vinca a folha mal lhe pega, àquelas dobras propositadas e sem critério, a meio e depois novamente a meio (quer dizer, tudo menos a meio) das folhas.
Desde o mais insignificante recibo que sei que vai para o lixo (ecoponto, pois claro) nos próximos 5 minutos, ao meu mais estimado livro.
Livro com cantos ou a própria capa dobrada é o seu assassinato! É qualquer coisa que me provoca mal estar geral, suores e culmina em pânico. Olhando para as minhas estantes não se percebe que livros é que já li (e eu tenho orgulho nisso)! Em contrapartida, para minha tristeza profunda, facilmente se percebe que livros é que já emprestei (o que também não quer dizer que eu não os empreste). Tenho emprestado muitos e as marcas vão ficando :S
Não se ponham para aí a imaginar que pego nos livros com a ponta dos dedos, que os abro num ângulo inferior a 90º e que nem sonho em sair de casa com qualquer um deles... nada disso! Praticamente não saio de casa sem um livro, levando-os para todo o lado (incluindo praia), mexo e remexo neles com todos os dedos que tenho e por vezes até os leio em cima da mesa, quase espalmados (nessas circunstancia tenho cuidado para não dobrar a lombada!).
Podem rir, gozar, ridicularizar! Este tema já há muito que é falado e comentado entre amigos, que no auge da sua histeria até DOBRAM só para me irritar! Não cito nomes.. eles bem sabem quem são!
Enfim, decidi falar sobre isto porque, às vezes, também me apercebo do exagero. Mas é mais forte do que eu e não me tou a ver a ultrapassar isto.
Basicamente imagino me Ricardo Araujo Pereira, tipo: "ei pessoal, eu não aguento papel dobrado" e eles "epa, isso é panca!", e eu "So pode :S", querem ver:
-ei pessoal, eu não aguento papel dobrado..
-epaaaaa, isso é panca!
-so pode..
Cão como nós
Nunca tive um cão.
Tenho medo dos cães quando não os conheço.
Nunca dediquei muita atenção a animais.
Tenho um gato há 15 anos.
Às vezes parece que não me lembro que o tenho.
Às vezes dou por mim a apreciar a companhia que ele me faz.
Gosto do meu espaço e do espaço dele, respeitamo-nos muito nisso.
Não tenho muita paciência para conversas sobre animais "ai o meu gato faz isto" "mas o meu ainda faz aquilo" "e o piriquito!..."
O Manuel Alegre dedicou um livro inteirinho para falar do seu cão, o Kurika. E tanto que eu gostei de ler as aventuras do Kurika, as alegrias que deu, as saudades que ainda hoje todos têm dele.
Entendida que não sou em comportamento e psicologia animal, não o poderei comparar a nenhum outro. Limito me a acreditar e a absorver as palavras do seu dono: "Não era um cão como os outros. Era um cão rebelde, caprichoso, desobediente, mas um de nós, o nosso cão, ou mais que o nosso cão, um cão que não queria ser cão e era cão como nós."
Uma dica:
Para os preguiçosos, desmotivados ou sem-tempo para leituras, este é o livro que precisam! Quando lhe pegamos só o largamos depois de lido. O tempo que se demora é variável, no minimo 40 minutos (para o ler uma vez) até ao máximo de 400 minutos (para o ler repetidamente).

N.1
Que bem que me vai saber dizer isto:
E eu posso dizer isto com conhecimento de causa, ora vejam os livros que já li dele:
Admito que existam por aí alguns fãs, a estes tenho uma palavrinha a dar: não se sintam melindrados com esta minha opinião. Para todos os efeitos neste espaço sinto me livre e vocês têm sempre o oportunidade de me contrariar com comentários. I'll be happy to "read" you!
a teoria do REJECTED
A pedido de várias famílias (vá, uma pessoa) surgiu a necessidade de criar a rúbrica do REJECTED. Aqui falaremos de livros, autores, editoras que simplesmente podemos ignorar! A sério, não percam o vosso tempo... com tanta coisa que há para fazer.
Rejeitar uma editora até parece abuso mas agora que penso.. há paí uma que eu facilmente eliminava.. any guess?
A vida não é aqui
"A poesia é um território onde toda a afirmação se torna verdade. O poeta disse ontem: a vida é inútil como uma lágrima, hoje diz: a vida é alegre como o riso, e tem razão nos dois casos. Diz hoje: tudo acaba e se afunda no silêncio, dirá amanha: nada acaba e tudo ressoa eternamente, ambas as coisas são verdade. O poeta não precisa de provar nada; a única prova reside na intensidade da sua emoção.
O génio do lirismo é o génio da inexperiência. O poeta sabe pouca coisa do mundo mas as palavras que dele jorram formam belas construções definitivas como o cristal; o poeta não é um homem maduro e contudo os seus versos têm a maturidade de uma profecia perante a qual o próprio fica interdito."
Milan Kundera tem destas coisas: observa as personagens, conta-nos as suas histórias e pára. Quando pára reflecte; quando reflecte partilha; e quando partilha questiona. Não conheço outro com este génio e por isso se torna único.
N'A vida não é aqui conhecemos as entranhas de Jaromil e com ele crescemos, aprendemos, sentimos, amamos e escrevemos. Compreendemos? Esta pergunta fica em aberto... Compreender Jaromil é saber o que é ser poeta...
"Meu amigo, você é um poeta, você é um poeta!"
... é sê-lo.
QUARTA-FEIRA, AGOSTO 09, 2006
Noite quente de verão, lua cheia e música antiga a pedir para ser re-ouvida sugeriam-me um passeio pela marginal. A A não achou boa ideia que eu fosse sozinha, agarrou noutro A e lá fomos os 3 andando, andando.
Pela marginal fora chegámos a Cascais e aí pareceu-nos mandatório correr até ao Santini. De gelados na mão e com bastante mais calma partimos pela rua fora mas o caminho não foi longo. 2 ou 3 portas à nossa frente avistámos livros. Velhinhos, baratinhos, alguns deles com cantos dobrados, para meu descontentamento. Entre as bancadas cá fora, despaxámos os gelados e subitamente estávamos lá dentro a devorar prateleiras repletas de tudo o que acabou de sair e tudo o que não imaginávamos ainda existir.
Esta visita-museo demorou-nos uma hora, custou-nos 10 livros e ainda arrisquei trazer uma sugestão que me foi dada pela senhora dona do estabelecimento. Quando estava prestes a dar por terminado o episódio pergunto à senhora:
- então, desculpe, mas onde é q estamos? que livraria é esta?
- ????? a menina não sabe onde está?? está na livraria Galileu!! nunca ouviu falar? como é que é possível? donde é q é?
- :S sou de lisboa..
- tou a ver... veio comer um gelado..
- pois...
- então tome esta flor (de plástico) e diga comigo: Galileu, livraria Galileu!
- Galileu, livraria Galileu..
- :)
Senti-me analfabeta e ignorante mas fiquei feliz pela descoberta que essa noite me reservou.
À parte de uma organização que não entendi muito bem e muitos livros que me fizeram 'espécie' pelo aspecto já lido e um pouco mal-tratado que tinham, a Galileu merece a nossa visita.
Digo mais: em Cascais mandatório não é Santini, é Galileu!!!!! pelo menos de hoje em diante!
Livro que me foi sugerido: Boquitas Pintadas, de Manuel Puig. Já tenho desculpa para lá voltar!
pa_leio # 19 - 7 de Outubro de 2006
A viagem de Théo - Catherine Clément
Descrição da editora - Deus existe? Será essa uma pergunta com ou sem resposta? O que fazem milhões de pessoas à face da Terra para crer em Deus? Deve haver uma razão! De Jerusalém a Benares, passando por Roma e Istambul, por Praga e pela Baía, por Moscovo e por Jacarta, através da Europa, da Ásia, da América e da África, o jovem Théo e a sua tia Martha vão dar a volta ao mundo das religiões para encontrar no terreno as respostas a essa questão vital. Odisseia espiritual, a viagem de Théo leva-o ao encontro de homens sábios capazes de lhe iluminar o espírito e acalmar o coração. Porque Théo tem catorze anos e está muito doente...
O Jardim das Delícias
Não é a primeira vez que venho aqui desdenhar num livro e não será com certeza a última. Não que seja essa a minha intenção, simplesmente acontece eu não gostar de alguns livros que leio e calculo que quantos mais livros leia maior a probabilidade disso acontecer.. am I right?
Então desta vez peguei em João Aguiar. Nunca tinha ouvido falar deste autor e de repente percebo que é um grande nome da praça, já com enorme lista de obras publicadas e lidas por aí. Até aqui peço desculpa pela minha ignorância..
O Jardim das Delícias pareceu me uma mistura de literatura light com ficção científica. Uma história rápida, com personagens banais, com um dia-a-dia rotineiro numa Federação Europeia que supostamente existe em meados do século XXI. Máquinas sofisticadas, altas tecnologias e teorias futuristas não se enquadram bem na minha panóplia de interesses, talvez daí o mal.. basicamente foi isso: o tema não me interessa e só li até ao fim porque não gosto de desistir de livro nenhum.. ahh e já agora: porque me foi oferido! Não fiquem preocupados, já discuti o livro com a alma querida que mo ofereceu, ta tudo esclarecido.
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