pa_leio #31 - 10 de Novembro de 2007
vamos brincar?

Deste vez sob um novo formato: desafia-se cada um dos intervenientes a seleccionar um conto infantil, juvenil, conto de amor, fábula, história tradicional, lenda ou outro texto com dimensão suficientemente breve para poder ser partilhado na reunião.


E como "Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto.", nós queremos contigo sumar muitos pontos no próximo pa_leio!

posted by: sara p.

Fala do velho do Restelo ao astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

by: José Saramago
posted by: Nuno Guerra

Já lá vão #30!

#1: Rodrigues, o intérprete, de Michael Cooper
- O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy
- O livro das ilusões, de Paul Auster
- A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera
- Siddartha, de Hermann Hesse
- 1984, de George Orwell
- Do sol, de Jacinto Lucas Pires
- Crónica dos bons malandros, de Mário Zambujal
- Cisnes selvagens, de Jung Chang
- O amor nos tempos de cólera, de Gabriel Garcia Marquez
- Estação carandiru, de Drauzio Varella
- A metamorfose, de Franz Kafka
- O retrato de dorian gray, de Oscar Wilde
- Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
- Equador, de Miguel Sousa Tavares
- Crime e castigo, de Fedor Dostoievski
- As memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
- O sangue dos outros, de Simone de Beauvoir
- A viagem de Théo, de Catherine Clément
- O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa
- O crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós
- As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai
- A morte de Ivan Ilitch, de Leo Tolstoi
- Dom Casmurro, de Machado de Assis
- Um, ninguém e cem mil, de Luigi Pirandello
- A estrada, de Cormac McCarthy
- Na praia de Chesil, de Ian McEwan
- O imperador de Portugal, de Selma Lagerlof
- Middlesex, de Jeffrey Eugenides
#30: O som e a fúria, de William Faulkner

pa_leio #30 - 20 de Outubro de 2007
O Som e a Fúria - William Faulkner


William Faulkner é americano, nascido no Mississipi, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1949 e com o Prémio Pulitzer em 1954.O livro "O som e a fúria" (The Sound and the Fury), publicado em 1929, conta a história de uma rapariga, apresentada em cada capítulo pelo ponto de vista de um dos seus três irmãos - um idiota, um suicida-neuró tico e um rapaz monstruoso. A estrutura do livro não é linear, e no meio da história Faulkner utiliza itálico para indicar alguns pontos em que a narrativa passa a desenrolar-se no passado, mas a utilização desse itálico pode ser confusa porque nem sempre os flashbacks estão assinalados a itálico. Mas nada do outro mundo.

Necessita é de ser lido com alguma atenção.Mas este autor o pa_leio tem de conhecer. Ele utiliza imensas técnicas literárias, simbolismo, alegoria, narrativa e pontos de vista múltiplos, narrativa não-linear e fluxo de consciência que intercepta presente e passado, quebrando os limites espaço-temporais. Resumindo, é uma referência.

posted by: sónia

As escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa

No domingo passado (26 de Agosto), entre muitas escolhas e alguns livros apresentados pelo Professor Marcelo constava Ian McEwan "Na praia de Chesil".

pa_leio #29 - 21 de Setembro de 2007

Middlesex - Jeffrey Eugenides


Na Primavera de 1974, Calliope Stephanides, estudante num colégio de raparigas em Grosse Pointe, Michigan, vê-se irresistivelmente atraída por uma colega de turma arruivada, fumadora compulsiva, com um dom para as artes dramáticas. A paixão que se desenvolve secretamente entre as duas, bem como o não-desenvolvimento de Callie, leva-a a desconfiar que não é uma rapariga igual às outras. Na verdade, não é rapariga nenhuma. A explicação para este alarmante estado de coisas reside numa mutação genética rara, e num segredo inconfessado, que perseguiu os avós de Callie desde o desmoronamento do Império Otomano à Detroit dos anos vinte, passando pelos gloriosos tempos da Motor City, pelos motins raciais de 1967, até à segunda migração da família para um país estrangeiro num subúrbio da cidade. Graças ao gene, Callie é em parte rapariga, em parte rapaz. E embora as viagens épicas do gene tenham terminado, a sua odisseia individual ainda mal começou.

pa_leio #28 - 19 de Julho de 2007

O Imperador de Portugal - Selma Lagerlof

Há quem admita que a história de O Imperador de Portugal tenha sido por inspiração a vida de Joshua Abraham Norton, um estranho personagem da cidade de São Francisco, na Califórnia, que em 1859 se auto-intitulou Norton I, Imperador destes Estados Unidos e Protector do México, chegou a cunhar moeda, se correspondeu com a rainha Vitória e foi sempre tratado com deferência pelos seus conterrâneos. Esta é, com efeito, a história de um pobre camponês da Suécia, que acabou por enlouquecer com o facto de a filha ir para Estocolmo para ganhar o dinheiro necessário ao pagamento de uma dívida de família. O homem passou a aguardar quase diariamente, no embarcadouro, o regresso da filha. E um dia em que lhe fizeram algumas insinuações sobre os verdadeiros motivos da ausência da menina, Jan declarou: «Quando a Imperatriz Clara de Portugal chegar aqui ao embarcadouro, com uma coroa de oiro na cabeça… veremos se te atreves a dizer-lhe na cara o que hoje me disseste a mim». A partir de então, o homem tornou-se Johannes de Portugal... O presente romance, uma das obras-primas da literatura sueca, é a história de uma amor profundo, que une pai e filha, e também a descrição da morte do mundo das tradições rurais, e da emergência do novo mundo, urbano e desapiedado, que o veio substituir.




Quem se empenha no pensamento literário viaja longe, em espírito. Absorvido em contemplação, o seu pensamento recua milhares de anos; com o mínimo movimento o olhar atinge enormes distâncias; cria a música das pérolas e do jade, entre as linhas do poema, e testemunha a passagem do vento e das nuvens, à frente dos olhos.

in O Espírito Literário

pa_leio #27 - 30 de Junho de 2007
Na praia de Chesil - Ian McEwan

Desta vez deixo-vos só mesmo com isto. Sem resumos, sem críticas, sem comentários. Diz quem lê que estraga!

Está aí...

... e nós, estamos lá?

O Sr.José para os amigos



Lido em voz alta, por mim, para mim e para a C.. Aconselhado e emprestado pelo A..

Desde logo troquei o "Juarroz" por "José" para simplificar a coisa. Durante 40 minutos fui lendo e interrompendo. Ora para interiorizarmos o que lia, ora para olharmos uma para a outra com cara de caso "será isto possível?", "estaremos a pensar o mesmo?", ora simplesmente para nos rirmos.


No fim não trocámos muitas palavras mas ficou pelo menos uma ideia no ar: o Senhor Juarroz até pensava e dizia uma coisas acertadas mas tudo o que fazia era inútil e ridículo...

Deixo a questão: moral da história?

pa_leio #26 - 26 de Maio de 2007

A estrada - Cormac McCarthy

"O mundo da literatura não queria acreditar quando viu anunciar que o tímido, hiper-reservado, avesso a entrevistas, o homem que detesta falar da escrita e que o crítico Harold Bloom colocou entre os quatro grandes romancistas norte-americanos da actualidade (com Don DeLillo, Thomas Pynchon ou Philip Roth), estaria à conversa com Oprah Winfrey. Foi no passado mês de Março e seria a primeira entrevista de Cormac MacCarthy a uma estação televisiva.
Cormac - nome que poucos se atreveriam a ouvir pronunciar a par da superestrela Oprah -, acaba de vencer a edição de 2007 do Prémio Pulitzer na categoria de Romance, com o livro A Estrada, agora editado em português pela Relógio d'Água. Um livro que Oprah escolheu para integrar a sua lista literária pessoal, retirando-o da restrita (ainda que cada vez menos) corte de admiradores do escritor que não gosta de se dar a ver. A visibilidade valeu a venda de 138 mil cópias e tornou-o um dos livros mais populares.
Aos 73 anos, o autor de O Filho de Deus e Meridiano de Sangue - publicados em português com a mesma chancela - conquistou um dos mais prestigiados prémios nos Estados Unidos. Vale 7 300 euros e é atribuído anualmente pela Universidade de Columbia desde 1917.
Desde que foi publicado nos EUA, em Setembro de 2006, que o nono e último livro deste autor nascido em Rhode Island tem recebido o melhor acolhimento da crítica e é apontado como candidato a vencer alguns dos mais conhecidos prémios literários de 2007 (entre eles o Man Booker International).
A Estrada (no original The Road) fala de um mundo pós-apocalíptico na linguagem crua, despojada, a que McCarthy habituou os seus seguidores desde a edição, em 1965, de The Orchard Keeper (O Guarda do Pomar), o romance de estreia. "Naqueles primeiros anos, as estradas estavam cheias de refugiados amortalhados nas suas roupas. Usavam máscaras e óculos de protecção, sentados na berma com os seus andrajos no corpo, quais aviadores reduzidos à indigência. Traziam carrinhos de mão a abarrotar de bugigangas, puxavam carroças ou reboques. De olhos a brilhar no crânio. Carapaças de homens sem uma réstia de fé aos tropeções pelos viadutos, como bandos migratórios numa terra febril. A fragilidade das coisas enfim revelada."
É neste ambiente pós-nuclear que se desenvolve a A Estrada. Numa primeira leitura, narra a história de sobrevivência de um pai e de um filho. O jornal britânico The Observer classificou-o, no entanto, como uma meditação sobre a morte. A morte individual e a morte da humanidade.
A concorrer com McCarthy estavam Alice McDermott, com After This, e Richard Powers e The Echo Maker. Natasha Trethewey venceu na categoria de Poesia, com Native Guard e Debby Applegate ganhou em Biografia com The most Famous Man in America, que conta a vida de Henry Ward Beecher. Gene Roberts e Hank Klibanoff ganharam em História, com The Race Beat, e Lawrence Wright venceu em Ensaio por The Looming Tower: Al-Qaeda and the Road to 9/11. O saxofonista Ornette Coleman (77 anos) foi distinguido pelo álbum Sound Grammar."

in Diário de Notícias, 18/04/2007

pa_leio #25 - 21 de Abril de 2007

Um, ninguém e cem mil - Luigi Pirandello


«A revelação inesperada de que o seu nariz, ligeiramente torto, pende para o lado direito, leva Vitangelo Moscarda, pai de família e banqueiro influente, apelidado carinhosamente pela mulher de Gengè, aos limites da obsessão. A banal constatação da sua pequena imperfeição física provocará em Gengè comportamentos cada vez mais estranhos para os que o rodeiam, levando-o progressivamente à loucura e à quase bancarrota financeira.Humoristico e profundamente irónico, Um, ninguém e cem mil, foi o último romance publicado por Luigi Pirandello, Nobel da Literatura, e é considerado pela crítica como um dos pontos mais altos de toda a sua obra, onde o autor resume e aprofunda todo o seu universo, que marcou de forma original a literatura do sec XX. »
A Bertrand fala em 10% de desconto ficando a 12,15Euros. A Fnac oferece 3 versões com preços pró menino e prá menina: 4,90Euros, 7,41Euros ou 12,15Euros.


N.2

Como é que esta me andava a escapar??
Margarida Rebelo Pinto nem pensar!!!
Nem Coincidências, nem Crónicas, nem Almas de Pássaros, eu Sei lá!
Literatura que mal se pode designar como tal... historecas sem sentido, da maior futilidade que já li, com mil asneiras à mistura e que não vêm nada a propósito. Lá que essas histórias lhe passem pela cabeça, ou até mesmo pela vida, enfim! Agora pespegá-las no papel e pô-las à venda?? É preciso uma enorme pobreza!

pa_leio #24 - 31 de Março de 2007
Dom Casmurro - Machado de Assis


O autor coloca aqui a questão do ciúme e da traição, mas principalmente a questão da dúvida entre o que conhecemos das pessoas e aquilo que elas realmente são, através do narrador, Bentinho, que se julga traído por Capitu, sua mulher.

ATENÇÃO: A Editora Dom Quixote edita este livro em versão de bolso, que inclui uma biografia de Machado de Assis e uma apresentação crítica da autoria da Professora Ana Maria Mão-de-Ferro Martinho, a um generoso preço de 6,29Euros.

40º procura-se!

O pa_leio já conta com 39 membros. E por membro entende-se qualquer pessoa que já tenha vindo ao pa_leio pelo menos uma vez. Não é incrível?
Só é pena que 39 não tenha graça nenhuma... não é muito mais redondo 40??

Por onde anda o número 40? Acredito que estejas bem perto.. APARECE!

Quero anunciar que tenho um clube com 40 membros!! Vá lá!

A gerência promete uma boa recompensa :)

Alfredo Saramago
Convidou para almoçar
seguido de
Viagens do meu paladar

"O prazer de comer é..." ai o prazer de comer!
Alfredo Saramago é crítico da gastronomia e diz que em Portugal se come mal. Eu leio isto e começo com um nervoso miudinho a pensar no azar que este homem tem tido nos sítios por onde tem comido. Mas logo ele me diz que se todos nós experimentámos e conhecemos belos manjares que por este Portugal fora se vão fazendo não é sinal de que se coma bem. No geral são poucos os marcos gastronómicos e portanto no geral come-se mal em Portugal!

O título do livro é mesmo "Alfredo Saramago convidou para almoçar seguido de viagens do meu paladar". Convidou para almoçar este e aquele, comenta a refeição que teve com esse e aquele e pede a esses e aqueles para também comentarem esse refeição conjunta que tiveram. Viagens do meu paladar são crónicas de passeios que fez onde a procura da boa mesa foi bem sucedida e motivo de registo.
A ideia do livro é muito original, pelo menos para mim que nunca tinha lido nada sobre gastronomia a não ser aquelas colectâneas de notas sobre "os melhores restaurantes daqui e dali".

Ter de escolher entre o prazer de ler e o de comer é me tão difícil como ter de optar por um croquete ou um pastel de nata, ambos quentinhos... obrigam-me a ter de optar pelos dois, e depois perder algum tempo a decidir qual deles primeiro!
Como conclusão deste livro aqui fica o comentário: entre livros "sobre a mesa" e livros "sob a mesa" prefiro a segunda! Discutamos livros à mesa!

pa-leio #23 - 24 de Fevereiro de 2007
A morte de ivan Ilitch - Leão Tolstoi


Os caminhos da solidão ou os caminhos que levam um homem à solidão. Será que a solidão não passa de um estado de alma? Ou os elementos externos à nossa vontade poderão provocar a verdadeira solidão, a mais real e completa, aquela que acontece e se esconde no círculo da família e da sociedade? Neste intenso estudo sobre a alma humana e uma das suas mais assustadoras condições, a solidão, Leão Tolstoi volta a imprimir o seu cunho de mestre como leitor e crítico do ser humano, transformando A Morte de Ivan Ilitch numa das mais belas e comoventes obras sobre este tema.

pa_leio #22 - 20 de Janeiro de 2007
As velas ardem até ao fim - Sándor Márai

Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

Essential

Depois de 6 longas semanas e 450 pequenas páginas, dia 16 de Dezembro finalmente falaremos sobre o crime do Padre Amaro. Guardemos as opiniões para essa altura. Por agora venho só deixar uma sugestão para todos os mais resistentes à leitura mas que têm (como é natural!) um desejo profundo de começar a participar no pa_leio, se possível já neste mês de Dezembro.

Lembram-se daqueles resumos (ranhosos) de grandes obras das Edições Europa-América? Sim, amarelos e pretos, esses mesmos. Não tem nada a ver!
Sabem aquelas versões de "tudo aquilo que precisa saber sobre..", que se resumem ao essencial e sem pormenores superfluos? Assim é no "há sempre um livro" de Cláudia Sousa Dias que resume livros como ninguém: brilhantemente!
Vale mesmo a pena espreitar o que ela tem escrito sobre tantos livros nossos conhecidos e outros nem tanto assim.

Para este próximo livro garanto-vos "Muito Bom" na vossa participação se até lá se prepararem lendo o "Essential of Crime do Padre Amaro"! Bom estudo :P

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